domingo, Abril 9

Domingo de Ramos

Fizémos a nossa Benção dos Ramos no átrio da Sala da Luz; entrámos para a Celebração ao som de Hossana, de Jesus Christ Superstar,

Crowd
Hosanna Heysanna Sanna Sanna Ho
Sanna Hey Sanna Ho Sanna
Hey J C, J C won't you smile at me?
Sanna Ho Sanna Hey Superstar

Caiaphas
Tell the rabble to be quiet
We anticipate a riot
This common crowd
Is much too loud
Tell the mob who sing your song
That they are fools and they are wrong
They are a curse
They should disperse

Crowd
Hosanna Heysanna Sanna Sanna Ho
Sanna Hey Sanna Ho Sanna
Hey J C, J C you're alright by me
Sanna Ho Sanna Hey Superstar

Jesus
Why waste your breath moaning at the crowd?
Nothing can be done to stop the shouting
If ev'ry tongue was still the noise would still continue
The rocks and stones themselves would start to sing:

Crowd, with Jesus
Hosanna Heysanna Sanna Sanna Ho
Sanna Hey Sanna Ho Sanna
Hey J C, J C won't you fight for me?
Sanna Ho Sanna Hey Superstar


Escolhemos uma obra de Giotto para enriquecer este momento



Giotto di Bondone (1267-1337), Scenes from the Life of Christ: Entry into Jerusalem, 1304-06,
Fresco, 200 x 185 cm, Cappella Scrovegni (Arena Chapel), Padua


Depois de rezado o Evangelho de hoje, que relata todos os passos da Paixão e Morte de Jesus Cristo, iniciámos a nossa partilha com a riqueza de mais duas obras maiores da história da Arte: O Sacramento da Última Ceia, de Salvador Dali, e a Pietà Rondanini, de Miguel Ângelo



Salvador Dalí (1904-1989), The Sacrament of the Last Supper, 1955, Óleo sobre tela, 166.7 x 267 cm,
Chester Dale Collection, National Gallery of Art, Washington, D.C.





Michelangelo Buonarroti (1475-1564), Pietà Rondanini,1552-64, Mármore, alt. 195 cm, Castello Sforzesco, Milan


Sobre esta peça, de uma contemporaneidade impressionante (alguém que não conheça não dirá que esta escultura é da segunda metade do século XVI...), apenas importa sublinhar que foi a última obra realizada por Miguel Ângelo; sobre o carácter inacabado da peça, pensa-se hoje que o artista quis que fosse assim mesmo... se se reparar, à esquerda da imagem aparece um outro braço, de um primeiro corpo de Cristo ("perfeito"...) que, entretanto, o artista abandonou. "The unity between Mother and Son is even more intimate. It is almost impossible to tell whether it is the Mother supporting the Son, or the Son supporting the Mother, overcome by despair..." pode ler-se num comentário muito apropriado, retirado na net...


Antes da Oração Eucarística, rezámos, ouvindo, o The Last Supper (Jesus Christ Superstar)

Apostles
Look at all my trials and tribulations
Sinking in a gentle pool of wine
Don't disturb me now I can see the answers
Till this evening is this morning life is fine
Always hoped that I'd be an apostle
Knew that I would make it if I tried
Then when we retire we can write the gospels
So they'll still talk about us when we've died

Jesus
The end . . .
Is just a little harder when brought about by friends
For all you care this wine could be my blood
For all you care this bread could be my body
The end!
This is my blood you drink
This is my body you eat
If you would remember me when you eat and drink . . .
I must be mad thinking I'll be remembered - yes
I must be out of my head!
Look at your blank faces! My name will mean nothing
Ten minutes after I'm dead!
One of you denies me
One of you betrays me

Apostles
Not I! Who would? Impossible!

Jesus
Peter will deny me in just a few hours
Three times will deny me - and that's not all I see
One of you here dining, one of my twelve chosen
Will leave to betray me -

Judas
Cut out the dramatics! You know very well who -

Jesus
Why don't you go do it?

Judas
You want me to do it!

Jesus
Hurry they are waiting

Judas
If you knew why I do it . . .

Jesus
I don't care why you do it!

Judas
To think I admired you
For now I despise you

Jesus
You liar - you Judas

Judas
You wanted me to do it!
What if I just stayed here
And ruined your ambition?
Christ you deserve it!

Jesus
Hurry you fool, hurry and go,
Save me your speeches
I don't want to know - Go! Go!

Apostles
Look at all my trials and tribulations
Sinking in a gentle pool of wine
What's that in the bread it's gone to my head
Till this morning is this evening life is fine
Always hoped that I'd be an apostle
Knew that I would make it if I tried
Then when we retire we can write the gospels
So they'll all talk about us when we've died

Judas
You sad pathetic man - see where you've brought us to
Our ideals die around us and all because of you
But the saddest cut of all -
Someone has to turn you in
Like a common criminal, like a wounded animal
A jaded mandarin
A jaded mandarin
Like a jaded, faded, faded, jaded, jaded mandarin

Jesus
Get out! They're waiting! Get out! They're waiting!
Oh! They're waiting for you!

Judas
Everytime I look at you I don't understand
Why you let the things you did get so out of hand
You'd have managed better if you'd had it planned -
Ah --- ah

Apostles
Look at all my trials and tribulations
Sinking in a gentle pool of wine
What's that in the bread it's gone to my head
Till this evening is this morning life is fine
Always hoped that I'd be an apostle
Knew that I would make it if I tried If I tried
Then when we retire we can write the gospels
So they'll still talk about us when we've died

Jesus
Will no-one stay awake with me?
Peter? John? James?
Will none of you wait with me?
Peter? John? James?



Finalmente, valerá a pena juntarmos aqui a crónica de Frei Bento Domingues publicada, hoje, no Público

Um partido do Papa?
O correspondente em Roma do jornal "El País" (03.04.2006) noticiava, com grande destaque, que um sector do centro-direita italiano, apoiado pelo próprio Berlusconi marcou o nascimento de uma força política que, à falta de um nome concreto, poderia chamar-se "Partido do Papa". O presidente do Senado, Marcello Pera, reuniu em Bolonha três mil pessoas para lançar um movimento teoconservador baseado explicitamente nas ideias de Bento XVI e na "defesa dos valores cristãos do Ocidente". Assegurou que a iniciativa não se esgotaria nas actuais eleições legislativas de Itália.
De facto, no discurso de Marcello Pera é dito: "Só um grande homem teve a coragem de olhar de frente esta crise, de a denunciar e de apelar a minorias criativas, como a que, hoje, se reúne aqui, com o fim de que façam o necessário para superar esta crise. Este homem é Bento XVI." É inevitável a pergunta: terá o Papa um partido político ou estaremos perante um partido que deseja Bento XVI ao seu serviço?
Fui verificar todos os documentos disponíveis e não se pode ignorar uma certa ambiguidade, a começar por ver textos do cardeal Ratzinger como se fossem de Bento XVI(1). Na era da globalização dos negócios, facilitada pelas novas tecnologias, é fundamental continuar a ideia de João Paulo II de uma globalização da solidariedade. E se o Papa renunciou ao título de "Patriarca do Ocidente", não me parece que vá agora confundir-se com o ideário e a prática de um partido votado, apenas, à defesa do Ocidente... A Igreja Católica nasceu no Oriente, deixou de ser eurocêntrica e repugna à sua essência identificar-se com uma etnia, com um país ou um continente.
2. Não defendo, no entanto, o afastamento da política como se ela fosse, por natureza, uma actividade suja e imprópria para consumo de gente com valores e preocupações éticas. Desejo, pelo contrário, que haja cada vez mais católicos movidos por preocupações sociais, a intervir na política para que ela procure tornar possível a promoção da justiça e da paz. A política democrática terá tudo a ganhar em tornar-se verdadeiramente cristã. Não como partido confessional, mas para ser, como dizia Robert Kennedy, "uma maneira de nos darmos aos outros". Daí a importância da publicação, em português, de uma obra sobre dez políticos notáveis do século XX, formados na fé católica(2).
3. Por sinal, a mistura da religião e da política, de forma consciente ou inconsciente, vai percorrer a celebração da Semana Santa. Mais ainda, Jesus ficou – contra a sua vontade e para sempre – com um título político-religioso colado ao seu nome. O título Cristo vem do grego "Christos", que, por sua vez, é tradução do hebreu "Mashiah", que significa "ungido", sagrado (os reis judeus eram ungidos). "Messias" é a tradução portuguesa. Dizer que Jesus é o Cristo ou o Messias é rigorosamente a mesma coisa. Mas de que messianismo se trata?
Na próxima semana, os cristãos (os "messiânicos") celebram o desfecho de todos os equívocos que acompanharam a intervenção pública de Jesus. Começou por vencer as tentações messiânicas – tentações do casamento do poder económico, político e religioso – que ele interpretou como satânicas. Visavam todas o poder de dominar a título de caminho de libertação. Quem, depois, o passou a tentar foram aqueles que ele próprio escolhera para levar avante o seu projecto de mudar a mente e o coração dos seus contemporâneos. Este programa subversivo está expresso nas "Bem-aventuranças" (Mt 5 e paralelos).
Jesus chamara-os para um projecto e eles sonhavam, continuamente, com outro. De nada serviu uma reunião de urgência para desfazer todos os equívocos e convencer os Doze Apóstolos de que o Mestre não dispunha de "tachos', para ninguém, nem sequer para aqueles que oferecessem a vida por um mundo onde não houvesse nem dominadores nem dominados, mas apenas irmãos: "Aquele que dentre vós quiser ser grande seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós seja o servo de todos. Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos" (Mc 10, 23-45).
4. Jesus tinha distinguido a política da religião, tinha manifestado, de forma radical, que o Templo e tudo o que andava à volta dele se tinha transformado num grande negócio, uma ofensa a Deus e aos pobres, uma traição aos profetas.
A entrada de Jesus em Jerusalém, celebrada hoje, Domingo de Ramos, é o paradigma de todas as ilusões que a próxima semana vai desfazer da forma mais cruel. Aclamam-no como o novo rei David, o rei messiânico, a presença visível do braço de Deus que os salva da humilhante ocupação romana. Não viram que a revolução de Jesus, expressa nas "Bem-aventuranças", é mais do que uma mudança de donos do povo. Resultado: Jesus, aquele que queria reunir todos os filhos de Deus dispersos, vai ficar só, no completo abandono entre o céu e a terra. E entregue pelos sumos sacerdotes ao poder ocupante porque viam nele uma ameaça para a religião política do Templo e seus negócios; é denunciado pelos zelotas desesperados diante da insurreição que não acontece; é abandonado pela multidão e pelos discípulos decepcionados porque não vêem naquele galileu a presença vitoriosa de Deus, mas um vencido na cruz da maldição. Restam algumas mulheres e alguns que pressentem que quem perde a vida, pela vida dos outros, inaugura, na própria morte, um mundo novo.
Apetece-me deixar, aqui, um fragmento de um poema de George Steiner: "A morte não é dona das cidades, / Nem eterna a meia-noite / O coração é um subúrbio da esperança / Uma primeira pausa na fronteira."
Precisamos de trabalhar por um mundo sem fronteiras, pela reunião dos povos, pelo abandono da política das grandes potências presentes e futuras. Jesus, na cruz, rompeu com a última das fronteiras: a morte.

(1) Marcello Pera e Joseph Ratzinger, Senza radici. Europa, relativismo, cristianesimo, Islam, Roma, Mondadori 2004.
(2) Gustavo Villapalos / Enrique San Miguel, O Evangelho dos Audases, Gráfica de Coimbra, 2006

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