quinta-feira, janeiro 17

S. João Batista | Jesus Cristo: austeridade vs. vida em abundância?!

A reflexão do passado domingo centrou-se na oposição que Jesus Cristo introduz à proposta que havia sido feita por João Batista: à austeridade que este anunciava e vivia, Jesus Cristo continua a desafiar-nos para uma Vida em abundância como, por exemplo, a lê Helena Marujo (no texto que pode ler aqui) ou a canta Woody Guthrie (forte exercício/desafio de reflexão).




Jesus Christ
Letra e música de Woody Guthrie

Jesus Christ was a man who traveled through the land
A hard-working man and brave
He said to the rich, "Give your money to the poor,"
But they laid Jesus Christ in His grave

Chorus:
Jesus was a man, a carpenter by hand
His followers true and brave
One dirty little coward called Judas Iscariot
Has laid Jesus Christ in His Grave

He went to the preacher, He went to the sheriff
He told them all the same
"Sell all of your jewelry and give it to the poor,"
And they laid Jesus Christ in His grave.

Chorus

When Jesus come to town, all the working folks around
Believed what he did say
But the bankers and the preachers, they nailed Him on the cross,
And they laid Jesus Christ in his grave.

Chorus

And the people held their breath when they heard about his death
Everybody wondered why
It was the big landlord and the soldiers that they hired
To nail Jesus Christ in the sky

Chorus

This song was written in New York City
Of rich man, preacher, and slave
If Jesus was to preach what He preached in Galilee,
They would lay poor Jesus in His grave.

segunda-feira, julho 2

A essência da Igreja

A essência da Igreja que é a evangelização articula-se em três funções



VIAS DA EVANGELIZAÇÃO «—» BÍBLIA

A vocação-missão única de toda a Igreja, que é “evangelizar todas as pessoas” inseridas sempre numa(s) cultura(s), desdobra-se em três funções essenciais: profética, sacerdotal e real e cuja referência contínua é a Bíblia, como norma última. Embora atualmente haja várias propostas com maior número de funções, algumas podem adaptar-se a esta divisão tripartida que tem como base as três virtudes teologais:


* função profética (aprofundar a fé);
* função litúrgica (celebrar
a esperança);

* função real (viver a caridade) na edificação da comunidade (comunhão) e na transformação da sociedade (missão).

Toda a Igreja deve ser evangelizada e evangelizadora e ministerial
“O padre deve ser chamado presbítero e não sacerdote” (“Ano Sacerdotal”) 

Porque a linguagem faz parte da cultura no sentido da Evangelli Nuntiandi, nn. 19-20, “o padre deve ser chamado presbítero e não sacerdote”. No Novo Testamento, são utilizados dois vocábulos gregos diferentes para exprimir duas realidades também diferentes. O vocábulo «hiéreus» designa aquele que é mediador entre Deus e as pessoas; o vocábulo «presbuteros» designa aquele que é «ancião» (presidente) da comunidade, sem nenhuma referência nem à mediação nem ao culto. Quando estes termos gregos são traduzidos para latim, a distinção será: hiéreus=sacerdos e presbuteros=presbyterE em português? Que acontece? Estas duas realidades diferentes vão ser designadas pelo mesmo termo: presbyter é traduzido por «padre» e sacerdos é traduzido por... «padre».

É que tanto para o equilíbrio da fé, da eclesiologia e da compreensão do ministério ordenado como para o ecumenismo só há vantagens em falar, como no Novo Testamento, de presbiterado. Falar de “ministério sacerdotal” ou de “sacerdote” é necessário e legítimo, mas não pode abarcar todo o significado do ministério do presbítero, cuja identidade é presidir ao anúncio do Evangelho e à construção da Igreja através das três funções  (presidir é uma tarefa global - e não apenas sacerdotal - que supõe coordenação, animação, vigilância, sentido dinâmico do conjunto: é ser responsável da responsabilidade de todos). Os vários títulos sucessivos do decreto do Concílio Ecuménico Vaticano II sobre os padres apoiam esta opção: chamado no princípio De clericis (Abril de 1963), passou a chamar-se De sacerdotibus (Novembro de 1963); depois aparece o conceito de ministério: De vita et ministerio sacerdotali (Dezembro de 1964), De ministerio et vita presbyterorum (Novembro de 1965); mas o seu título final será Presbyterorum ordinis (7 de Dezembro de 1965).

O conselho dos padres duma Diocese na linha do Concílio Ecuménico Vaticano II chama-se “conselho presbiteral” e não “conselho sacerdotal”!...

Para aprofundar consultar:
COMISSÃO DIOCESANA DO APOSTOLADO DOS LEIGOS - DIOCESE DE COIMBRA, 
Congresso Diocesano de Leigos. Conclusões: Aprofundamento teológico e sugestões pastorais

Gráfica de Coimbra, Palheira, 1992,  pp. 37-41, 43-47, 51-54, 131-135, 168-174.

Pe António Manuel Neto Samelo e José Dias da Silva / 2010-02-06

segunda-feira, junho 18

D. Albino Cleto

Querid@s amig@s,
fomos surpreendidos, este fim de semana, por uma notícia sempre difícil: faleceu no sábado, nos HUC, o sr. D. Albino Cleto.
O funeral será daqui a nada, com missa às 11.00 horas na Sé, de onde partirá depois para Manteigas, sua terra natal. 

Recordá-lo-emos sempre pela forma como acarinhou a Comunidade de Acolhimento João XXIII, recebendo-nos no Paço, autorizando-nos a reabilitar o espaço do velho edifício da Gráfica de Coimbra onde criámos a nossa Sala da Luz, onde se deslocou para abençoar este nosso espaço de celebração, festa, acolhimento e oração, e nos reafirmar o carinho com que vivia a experiência de risco que nos propomos viver, cada dia.

Sabemos que o Senhor, agora, o acolheu na eternidade das Bem aventuranças e rezamos para que ele nos ajude, com Jesus Cristo, nesta construção permanente do Reino, aqui e agora, feita de fracassos e acertos.

"O Senhor te abençoe e te guarde.
O Senhor faça resplandecer sobre ti o Seu rosto,
e tenha compaixão.
O Senhor te revele a Sua face,
e isso seja a Paz."

(Livro dos Números, in Armando S. Carvalho e J. Tolentino Mendonça [2006], A Oração dos Homens - uma antologia das tradições espirituais, Lisboa, Assírio & Alvim, p. 279)

domingo, dezembro 11

IIIº domingo do Advento

"O espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu e me enviou a anunciar a boa nova aos pobres, a curar os corações atribulados, a proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros, a promulgar o ano da graça do Senhor. Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, que me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que cinge a fronte com o diadema e a noiva que se adorna com as suas jóias. Como a terra faz brotar os germes e o jardim germinar as sementes, assim o Senhor Deus fará brotar a justiça e o louvor diante de todas as nações."

[Is 61, 1-2a.10-11 ]

Este foi o mote, o desafio que o José Pureza nos lançou: como é que temos dado resposta, na vida de cada uma e de cada um, ao programa que o Senhor, aqui, também nos propõe!

Pelas vezes que que não nos centrámos na proposta do Senhor e passámos ao lado da vida pedimos perdão:

"Pai, mandaste-nos «anunciar a boa nova aos pobres» e nós entretivemo-nos com os problemas do ATL dos nossos filhos. Mandaste-nos «curar os corações atribulado» e nós preocupámo-nos com o congelamento das nossas carreiras. Mandaste-nos «proclamar a redenção aos cativos e a liberdade aos prisioneiros» e nós concentrámo-nos no descodificador da TDT.
Apagámos o Espírito, apagámos os dons proféticos e não fomos fiéis Àquele que nos chama.
Por isto e por tantas coisas mais, desculpa Pai."
(José Pureza)

"Irmãos: Vivei sempre alegres, orai sem cessar, dai graças em todas as circunstâncias, pois é esta a vontade de Deus a vosso respeito em Cristo Jesus. Não apagueis o Espírito, não desprezeis os dons proféticos; mas avaliai tudo, conservando o que for bom."
[leitura completa: 1 Tes 5, 16-24] 

"Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. […] João respondeu-lhes: «Eu baptizo na água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além do Jordão, onde João estava a baptizar."
[leitura completa: Jo 1, 6-8.19-28] 


Demos graças por todas as respostas que vamos sendo capazes de construir: seja pelo questionamento do senso comum, pelos compromissos de cidadania em que nos vamos empenhando, pela exigência com que vamos vivendo as nossas profissões, pela atenção cada vez mais vigilante para com os mais pobres dos pobres. Assim rezámos:

"Pai, já tivemos nas nossas vidas momentos que não esperávamos, daqueles que marcam para sempre os caminhos que fazemos. Com mais ou menos jeito, fizemos as escolhas que achámos que eram mais certas. E temos a ousadia de acreditar que a imitação da Tua vida foi então um dos critérios que nos orientou nessas escolhas.
Este é outro momento desses. A turbulência própria das mudanças fundas tomou conta das nossas vidas e das vidas de quem connosco vive. Estamos de novo desafiados a fazer escolhas densas, difíceis, marcantes.
E, ainda que perturbados e angustiados, queremos-Te dar graças por isso. Porque somos chamados a sair da distração e a dar corpo a um projeto de vida coerente com a nossa condição essencial: sermos filhos de Deus.
Obrigado por isso, Pai."
(José Pureza)

sábado, julho 9

Reflexão partilhada...

A mensagem chegou-nos pelo Zé Carlos. Mas parece-me que é de partilhar aqui também a reflexão que nos é proposta por Leonardo Boff.

Para quem quiser mais, aqui fica a fonte.

segunda-feira, maio 23

5º domingo da Páscoa

O Samelo trouxe-nos mais um desafio para a nossa reflexão semanal: um texto de José Antonio Pagola, publicado no seu blog e que pode ser saboreado clicando aqui.


A Clara partilhou connosco, na Acção de Graças, um texto de Helena Araújo:

«Entre duas cervejas, falava-se de Deus. O grupo: um católico praticante, um católico duvidante, um ateu militante (que tira todos os dias uns minutos para se reafirmar que Deus não existe), um que só se ria, e eu, especialista em falar mais depressa que o pensamento, deixando escapar que "no fundo, não é muito importante se existe ou não - se eu agir como se Deus existisse, já vale a pena", o que logo me valeu o carimbo de "esta joga pelo seguro".

Em termos de esprit d'escalier, eu sou o superlativo absoluto sintético. Só muito mais tarde me ocorreu que era isto o que queria dizer:

A minha fé não é um apostar numa conta poupança eternidade, mas uma busca de sentido e conteúdo para a vida. Não tendo a certeza se Deus existe ou não - que isso é tal e qual como nos jogos de futebol: prognósticos, só depois do apito final -, basta-me que a sua procura seja a lâmpada dos meus pés.

Como diz a Sophia com tanta leveza e graça:

"Escuto mas não sei
Se o que oiço é silêncio
Ou deus

Escuto sem saber se estou ouvindo
O ressoar das planícies do vazio
Ou a consciência atenta
Que nos confins do universo
Me decifra a fita

Apenas sei que caminho como quem
É olhado amado e conhecido
E por isso em cada gesto ponho
Solenidade e risco"

Existe? Não existe? Não sei.
Sei que o Deus de Jesus Cristo existiu com toda a força da sua concreta presença nas ruas de Calcutá por onde a Madre Teresa passou, sei que esteve em Auschwitz no dia 29 de julho de 1941, quando o padre Kolbe se ofereceu para morrer em vez de outro prisioneiro. Não existe para nós como um seguro de vida eterna, mas por nós e como O soubermos inventar em actos de amor ao próximo e à nossa vida presente.»


Quem quiser poderá começar, desde já, a preparar o próximo domingo, refletindo sobre o desafio que Pagola nos dirige, a cada uma e a cada um de nós:
«En la Iglesia de Jesús necesitamos urgentemente una calidad nueva en nuestra relación con él. Necesitamos comunidades cristianas marcadas por la experiencia viva de Jesús. Todos podemos contribuir a que en la Iglesia se le sienta y se le viva a Jesús de manera nueva. Podemos hacer que sea más de Jesús, que viva más unida a él. ¿Cómo?»

Citando o Religionline