Na nossa Celebração ontem, na Sé Velha, assistimos a uma bela interpretação deste Hino à Vida, à Alegria, à Comunhão... rezando pela Ana, pelo Miguel e pela Nani!
segunda-feira, dezembro 10
domingo, novembro 25
34º Domingo do Tempo Comum - Ano C
Desta vez, o Samelo preparou-nos uma reflexão para o Momento Penitencial, a que juntou uma Homília de João Paulo II (Dia do Perdão do Ano Santo de 2000, a 12 de Março) e a Oração Universal – Confissão das culpas e Pedido de Perdão usada na mesma Celebração pelo Papa.
MOMENTO DO PERDÃO
A Igreja é sacramento do Reino - é a anti-Babel
Quando, em 1925, Pio XI instituiu a Festa de Cristo-Rei o seu objectivo era temporal e político: “cristianizar” os estados modernos, pois o cristianismo, melhor: o catolicismo romano era a religião perfeita e única (as outras eram império do diabo!) e a Igreja o único sacramento de salvação, a única arca da aliança, uma fortaleza e uma sociedade perfeita - a Igreja identificava-se totalmente com o Reino!
Mas… a Igreja da Trindade é criação contínua do Espírito Santo que sopra quando quer, onde quer e como quer…
… e quando a Igreja, sendo visível e invisível, instituição e mistério, se abre ao sopro do Espírito… percebe
* que não é o Reino nem a fonte da salvação (esta é Jesus Cristo)… e surgem no seu seio acontecimentos maravilhosos como o Concílio Ecuménico Vaticano II: “A Igreja, Reino de Cristo já presente em mistério…” (LG 3) “constitui ela própria na terra o germe e o início deste Reino” (LG 5); porque não é coincidente com o Reino (“Reino de Verdade e de Vida, Reino de Santidade e de Graça, Reino da Justiça, de Amor e de Paz”), a Igreja é seu sinal e instrumento, ou sacramento (cf. LG 1) e portanto deve:
- ser compreensível e significativa para todas as pessoas, povos e culturas; isto é, deve ser um sinal conforme às características de cada cultura e não de uma só;
- não ser um falso sinal: muitas vezes, levada pelo receio de que os valores das culturas venham destruir uma certa imagem de ordem que julga ser exigida pelo Reino, a Igreja pode fossilizar em estruturas e soluções ultrapassadas;
* que “contém pecadores no seu seio e, por isso, ao mesmo tempo que é santa, precisa sempre de purificação, e sem descanso prossegue no seu esforço de penitência e renovação” (LG 8): o Espírito goza de prioridade e primado em relação ao institucional eclesial, precede e vai gerando a Igreja, não “desce” a uma Igreja já constituída, mas serve-se dela e conscienciatiza-a de falhas e limitações, não “canonizando”, por isso, tudo o que nela acontece - e a Igreja, em atitude de conversão ao Reino, vai exercitando a “purificação da memória”…
Eu deste monte estou a ver o mar
Um mar de gente que não tem um lar
É um sobejo é um sobejo baixo
Canção tão triste paira sobre as ondas
É o lamento de homens a chorar
É um lamento é um lamento o mar
Refrão:
QUEM VÊ AS ONDAS
QUEM VÊ AS ONDAS DO MAR
NÃO FICA EM TERRA
- NÃO FICA EM TERRA A OLHAR (última vez: TEM DEUS QUE O MANDA AVANÇAR)
Lá mais ao fundo longe deste pranto
Vive uma gente que não sabe amar
É um tormento é um tormento amar
Vivem num reino feito de cristal
Vivem de sonhos sem querer olhar
Este sobejo este sobejo baixo (Refrão)
Na noite escura vem um monstro irado
Consome as vidas deste mar humano
É deste reino é deste reino o mal
É deste monstro que vive o cristal
E os dois combinam ter um povo em pranto
Esquecimento esquecimento brando (Refrão)
Canção tão triste paira sobre as ondas
Será um hino de libertação
Não será pranto não será pranto o mar
E o cristal será quebrado e o mar
Terá nas mãos um monstro domado
É deste reino é deste reino o bem (Refrão)
(O texto e as orações de João Paulo II podem ser descarregadas aqui!)
António Samelo
quinta-feira, novembro 8
Co-responsabilidade na Igreja
A propósito de um texto de reflexão que assinou com o título acima, o Samelo envia-nos agora um conjunto de documentos:
[Primeiro]
[Segundo]
[Terceiro]
[Quarto]
[Primeiro]
[Segundo]
[Terceiro]
[Quarto]
domingo, outubro 21
29º Domingo do Tempo Comum - Ano C
Hoje o Samelo apenas nos trouxe, para além do texto da primeira leitura, as letras de três cânticos, para nos ajudar a reflectir...
Leitura do Livro do Êxodo (Ex 17, 8-13)
Naqueles dias, Amalec veio a Refidim atacar Israel. Moisés disse a Josué:
«Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão».
Josué fez o que Moisés lhe ordenara e atacou Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo da colina. Quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos.
Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr-do-sol e Josué desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada.
Palavra do Senhor.
******************
Hino da Acção Católica Portuguesa
Abram alas terra em fora
Por entre frémitos de luz!
Deus nos chama, é nossa a hora,
Alerta pela Cruz!
Almas bravas de soldados,
Senhor, já surgem d’além!
E há caminhos não andados,
Que esperam por alguém.
EM NÓS, ACENDEI EM NÓS, Ó DEUS
FLAMAS DE UM NOBRE IDEAL!
CLARINS, VIBREM CLARINS NOS CÉUS
POR AMOR DE PORTUGAL!
QUEM AVANÇA A CONQUISTAR TROFÉUS
LUTA POR BEM DA GREI
LUTAI A CANTAR E A OLHAR EM DEUS,
BATALHÕES DE CRISTO REI!
Brade ao vento a voz da terra,
Ó Pátria, voz do mar em dor:
Contra o ódio, contra a guerra,
Só vence a voz do amor.
Portugal, rezando, cante,
Senhor ao rumo triunfal:
Arraial, avante, avante,
Vitória! Portugal!
Queremos Deus
1. Queremos Deus, homens ingratos
ao Pai Supremo, ao Redentor!
Zombam da fé os insensatos,
erguem-se em vão contra o Senhor
DA NOSSA FÉ, Ó VIRGEM,
O BRADO ABENÇOAI:
- QUEREMOS DEUS, QUE É NOSSO REI!
QUEREMOS DEUS, QUE É NOSSO PAI! (bis)
2. Queremos Deus um povo aflito,
ó doce Mãe, vem repetir
a vossos pés d’alma este grito,
que aos pés de Deus fareis subir.
3. Queremos Deus e a sã doutrina,
que nos legou na Sua cruz,
que leva à escola e à oficina
a lei de Cristo, amor e luz.
4. Queremos Deus, na pátria amada
amar-nos todos como irmãos,
e ver a Igreja respeitada
são nossos votos de cristãos.
5. Queremos Deus, por bom exemplo
hemos da Igreja as leis guardar,
e nos ministros do Seu templo
carácter santo respeitar.
6. Queremos Deus, não contradigam
a lei divina as nossas leis:
todos adorem, todos sigam
a Jesus Cristo, Rei dos reis.
7. Queremos Deus, e prontos vamos
sua lei santa defender!
Sempre servi-lO aqui juramos
queremos Deus até morrer!
*********************
Deus guerreiro?
Porque é que Deus não impediu(e) o mal, o sofrimento?!:
* ou Deus não pode: então será omnipotente?
* ou não quer: então será santo, justo, bom?
* ou não pode e não quer: então não será impotente e malvado?
* ou pode e não quer: é sádico!?
* ou pode e quer: então porquê todo este mal no mundo?
KYRIE ELEISON 19 (TAIZÉ)
(Jaques Berthier)
KYRIE ELEISON
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
1. Pela Igreja, para que seja fermento de reconciliação
em toda a Humanidade, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
2. Para que a paz do Ressuscitado encha os nossos corações
e o Seu amor nos liberte, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
3. Pelas vítimas da violência e da guerra,
pela paz no mundo, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
4. Pelos que sofrem no trabalho,
pelos desempregados, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
5. Pelos idosos, pelos doentes,
pelos que estão sós e tristes, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
6. Pelos pobres, os marginalizados, os emigrantes,
pelos que estão ao seu serviço, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
7. Pelas nossas comunidades cristãs,
para que dêem um testemunho de unidade, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
Leitura do Livro do Êxodo (Ex 17, 8-13)
Naqueles dias, Amalec veio a Refidim atacar Israel. Moisés disse a Josué:
«Escolhe alguns homens e amanhã sai a combater Amalec. Eu irei colocar-me no cimo da colina, com a vara de Deus na mão».
Josué fez o que Moisés lhe ordenara e atacou Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur subiram ao cimo da colina. Quando Moisés tinha as mãos levantadas, Israel ganhava vantagem; mas quando as deixava cair, tinha vantagem Amalec. Como as mãos de Moisés se iam tornando pesadas, trouxeram uma pedra e colocaram-na por debaixo para que ele se sentasse, enquanto Aarão e Hur, um de cada lado, lhe seguravam as mãos.
Assim se mantiveram firmes as suas mãos até ao pôr-do-sol e Josué desbaratou Amalec e o seu povo ao fio da espada.
Palavra do Senhor.
******************
Hino da Acção Católica Portuguesa
Abram alas terra em fora
Por entre frémitos de luz!
Deus nos chama, é nossa a hora,
Alerta pela Cruz!
Almas bravas de soldados,
Senhor, já surgem d’além!
E há caminhos não andados,
Que esperam por alguém.
EM NÓS, ACENDEI EM NÓS, Ó DEUS
FLAMAS DE UM NOBRE IDEAL!
CLARINS, VIBREM CLARINS NOS CÉUS
POR AMOR DE PORTUGAL!
QUEM AVANÇA A CONQUISTAR TROFÉUS
LUTA POR BEM DA GREI
LUTAI A CANTAR E A OLHAR EM DEUS,
BATALHÕES DE CRISTO REI!
Brade ao vento a voz da terra,
Ó Pátria, voz do mar em dor:
Contra o ódio, contra a guerra,
Só vence a voz do amor.
Portugal, rezando, cante,
Senhor ao rumo triunfal:
Arraial, avante, avante,
Vitória! Portugal!
Queremos Deus
1. Queremos Deus, homens ingratos
ao Pai Supremo, ao Redentor!
Zombam da fé os insensatos,
erguem-se em vão contra o Senhor
DA NOSSA FÉ, Ó VIRGEM,
O BRADO ABENÇOAI:
- QUEREMOS DEUS, QUE É NOSSO REI!
QUEREMOS DEUS, QUE É NOSSO PAI! (bis)
2. Queremos Deus um povo aflito,
ó doce Mãe, vem repetir
a vossos pés d’alma este grito,
que aos pés de Deus fareis subir.
3. Queremos Deus e a sã doutrina,
que nos legou na Sua cruz,
que leva à escola e à oficina
a lei de Cristo, amor e luz.
4. Queremos Deus, na pátria amada
amar-nos todos como irmãos,
e ver a Igreja respeitada
são nossos votos de cristãos.
5. Queremos Deus, por bom exemplo
hemos da Igreja as leis guardar,
e nos ministros do Seu templo
carácter santo respeitar.
6. Queremos Deus, não contradigam
a lei divina as nossas leis:
todos adorem, todos sigam
a Jesus Cristo, Rei dos reis.
7. Queremos Deus, e prontos vamos
sua lei santa defender!
Sempre servi-lO aqui juramos
queremos Deus até morrer!
*********************
Deus guerreiro?
Porque é que Deus não impediu(e) o mal, o sofrimento?!:
* ou Deus não pode: então será omnipotente?
* ou não quer: então será santo, justo, bom?
* ou não pode e não quer: então não será impotente e malvado?
* ou pode e não quer: é sádico!?
* ou pode e quer: então porquê todo este mal no mundo?
KYRIE ELEISON 19 (TAIZÉ)
(Jaques Berthier)
KYRIE ELEISON
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
1. Pela Igreja, para que seja fermento de reconciliação
em toda a Humanidade, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
2. Para que a paz do Ressuscitado encha os nossos corações
e o Seu amor nos liberte, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
3. Pelas vítimas da violência e da guerra,
pela paz no mundo, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
4. Pelos que sofrem no trabalho,
pelos desempregados, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
5. Pelos idosos, pelos doentes,
pelos que estão sós e tristes, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
6. Pelos pobres, os marginalizados, os emigrantes,
pelos que estão ao seu serviço, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
7. Pelas nossas comunidades cristãs,
para que dêem um testemunho de unidade, oremos ao Senhor:
KYRIE ELEISON
CHRISTE ELEISON
domingo, outubro 7
27º Domingo do Tempo Comum - Ano C
Hoje o Samelo partilhou connosco um powerpoint que preparou para as suas Comunidades...
domingo, setembro 30
26º Domingo do Tempo Comum - Ano C
Regresso das Celebrações
Pois é... regressámos!
À nossa Sala, à Luz com que somos desafiados a olhar o Mundo!
E com mais um texto do Samelo a interpelar-nos!
Lc 16,19-31
Comentário de Fernando ARMELLINI, O Banquete da Palavra: comentário às leituras dominicais - Ano C, Paulinas, Lisboa, 1997, pp. 453-459 (adaptado)
Caríssimos pobres, neste mundo, a vossa vida é dura e, por vezes, parece realmente um inferno: morais em barracas, sofreis a fome, cobris-vos de trapos, estais cheios de chagas. Os ricos, ao contrário, moram em boas casas, gastam dinheiro em festas, têm bons carros, casas luxuosas, vestidos elegantes. Mas não vos zangueis! No outro mundo, as condições serão modificadas: vós gozareis enquanto eles hão-de sofrer. É só questão de ter um pouco mais de paciência e então haveis de ver: Deus mudará os seus prazeres em sofrimento atroz!
Entendida desta maneira, a parábola do rico e do pobre Lázaro está bem para todos: está bem para os pobres, que pelo menos podem alimentar o sonho de um futuro melhor no além; e está bem igualmente para as ricos que, ao contrário, preferem gozar o paraíso já aqui. E os padres o que fazem? Alguns esforçam-se por incutir o medo do inferno no outro mundo; outros, pelo contrário, defendem que a parábola é um convite a eliminar os infernos horríveis que há neste mundo.
Como interpretar a parábola?
No tempo de Jesus, esperava-se uma mudança das condições sociais. Dizia-se entre a gente pobre: «Um dia, os poderosos serão entregues nas mãos dos justos; estes cortar-lhes-ão o pescoço e matá-los-ão sem dó nem piedade. Os que agora não valem nada dominarão sobre os poderosos e os pobres reinarão sobre os ricos».
Jesus quererá porventura alimentar estes desejos de vingança? Não.
Se quisermos dar um título à parábola, será incorrecto chamar-lhe: a parábola do pobre Lázaro (que não é o protagonista) ou então: a parábola do mau rico. A mensagem central do relato diz respeito ao juízo do Deus de Cristo Jesus sobre a distribuição da riqueza no mundo.
Ora, o evangelho diz-nos que não podemos continuar a pensar que os bens que alguém acumula com o próprio trabalho lhe pertencem, que ninguém lhes pode tocar, que pode usá-los como bem entender, que pode até malbaratá-los, se quiser, em divertimentos e pândegas.
É precisamente esta maneira de pensar que para Jesus é inaceitável. É esta convicção (profundamente radicada também no coração dos cristãos) que Ele quer banir. Na parábola, Ele fala de um rico que é condenado não porque fosse mau, mas simplesmente porque era rico, ou seja, porque se fechava no seu mundo e não aceitava a lógica da partilha dos bens com quem estava em necessidade.
Jesus quer dizer-nos que o facto de neste mundo haver duas classes de pessoas - os ricos e os pobres - é contra o projecto de Deus Seu e nosso Pai. Os bens foram dados para todos e quem tem mais deve partilhá-lo com quem tem menos ou não tem nada, de maneira que haja igualdade (cf 2 Cor 8, 13) e para que a todos sejam criadas condições de vida dignas da pessoa humana. Assim: antes que alguém possa conceder a si próprio luxos, é necessário que todos tenham satisfeito as suas necessidades mais elementares.
Comentando esta parábola, Santo Ambrósio, bispo de Milão (340-397), dizia: «Quando dás alguma coisa ao pobre, não lhe dás aquilo que é teu, restituis-lhe apenas o que já é seu, porque a terra e os bens deste mundo são de todos, não dos ricos».
Hoje, a economia do mundo não está estruturada segundo o projecto do Deus de Cristo Jesus: 80% dos recursos estão nas mãos de 25% da população (em 1997!). Poderá um cristão aceitar esta situação? Nos nossos corações alimentamos ou não a mesma aversão que Deus sente contra as injustiças e a desigualdade?
Que devem fazer então os pobres? Começar a roubar e a usar violência contra os ricos? Não, não se cometa o erro de recorrer à violência que nunca resolve nenhum problema, antes cria outros novos e piores. As comunidades cristãs e os seus membros, porque participantes da profecia de Cristo Jesus e iluminados pela Escritura (= «Moisés e os Profetas»), devem anunciar denunciando ao mundo as injustiças que se cometem nos seus países e o sofrimento a que são sujeitos os pobres; devem fazer gestos de protesto fortes, embora não violentos (cf a Petição à Assembleia da República organizada pela Comissão Nacional Justiça e Paz e a entregar até 30 de Setembro de 2007). As comunidades cristãs e cada um de nós devem empenhar-se em mudar o «coração de rico» que trazem consigo: se continuarmos com um coração egoísta, se não tivermos a coragem de partilhar o pouco que ternos com quem é mais pobre, (…) nunca construiremos esse mundo novo onde não há ricos e pobres que disputam avidamente os bens, mas apenas e só irmãos que partilham os dons do Pai.
Quem é que «tem um nome» neste mundo? De quem é que falam os jornais? Dos ricos, de quem tem sucesso… Com Jesus, sucede o contrário. Para Ele, rico é: «um tal sem nome», enquanto o pobre tem um nome muito belo, pois se chama Lázaro, que significa «O Senhor ajuda».
Procuremos perguntar-nos: Quem é importante para nós? Quem é que nós gostamos de referir como sendo nosso amigo?...
Eu deste monte estou a ver o mar
Um mar de gente que não tem um lar
É um sobejo é um sobejo baixo
Canção tão triste paira sobre as ondas
É o lamento de homens a chorar
É um lamento é um lamento o mar
Refrão
QUEM VÊ AS ONDAS
QUEM VÊ AS ONDAS DO MAR
NÃO FICA EM TERRA
- NÃO FICA EM TERRA A OLHAR (última vez: TEM DEUS QUE O MANDA AVANÇAR)
Lá mais ao fundo longe deste pranto
Vive uma gente que não sabe amar
É um tormento é um tormento amar
Vivem num reino feito de cristal
Vivem de sonhos sem querer olhar
Este sobejo este sobejo baixo Refrão
Na noite escura vem um monstro irado
Consome as vidas deste mar humano
É deste reino é deste reino o mal
É deste monstro que vive o cristal
E os dois combinam ter um povo em pranto
Esquecimento esquecimento brando Refrão
Canção tão triste paira sobre as ondas
Será um hino de libertação
Não será pranto não será pranto o mar
E o cristal será quebrado e o mar
Terá nas mãos um monstro domado
E deste reino é deste reino o bem Refrão
Pois é... regressámos!
À nossa Sala, à Luz com que somos desafiados a olhar o Mundo!
E com mais um texto do Samelo a interpelar-nos!
Lc 16,19-31
Comentário de Fernando ARMELLINI, O Banquete da Palavra: comentário às leituras dominicais - Ano C, Paulinas, Lisboa, 1997, pp. 453-459 (adaptado)
Caríssimos pobres, neste mundo, a vossa vida é dura e, por vezes, parece realmente um inferno: morais em barracas, sofreis a fome, cobris-vos de trapos, estais cheios de chagas. Os ricos, ao contrário, moram em boas casas, gastam dinheiro em festas, têm bons carros, casas luxuosas, vestidos elegantes. Mas não vos zangueis! No outro mundo, as condições serão modificadas: vós gozareis enquanto eles hão-de sofrer. É só questão de ter um pouco mais de paciência e então haveis de ver: Deus mudará os seus prazeres em sofrimento atroz!
Entendida desta maneira, a parábola do rico e do pobre Lázaro está bem para todos: está bem para os pobres, que pelo menos podem alimentar o sonho de um futuro melhor no além; e está bem igualmente para as ricos que, ao contrário, preferem gozar o paraíso já aqui. E os padres o que fazem? Alguns esforçam-se por incutir o medo do inferno no outro mundo; outros, pelo contrário, defendem que a parábola é um convite a eliminar os infernos horríveis que há neste mundo.
Como interpretar a parábola?
No tempo de Jesus, esperava-se uma mudança das condições sociais. Dizia-se entre a gente pobre: «Um dia, os poderosos serão entregues nas mãos dos justos; estes cortar-lhes-ão o pescoço e matá-los-ão sem dó nem piedade. Os que agora não valem nada dominarão sobre os poderosos e os pobres reinarão sobre os ricos».
Jesus quererá porventura alimentar estes desejos de vingança? Não.
Se quisermos dar um título à parábola, será incorrecto chamar-lhe: a parábola do pobre Lázaro (que não é o protagonista) ou então: a parábola do mau rico. A mensagem central do relato diz respeito ao juízo do Deus de Cristo Jesus sobre a distribuição da riqueza no mundo.
O juízo de Deus sobre as desigualdades deste mundo
Talvez muitos de nós tenhamos a convicção de que há ricos bons e ricos maus. Esta distinção permite-nos pensar que neste mundo pode continuar a haver também as desigualdades mais descaradas. O rico pode viver ao lado do miserável, basta que não roube e que dê esmolas.Ora, o evangelho diz-nos que não podemos continuar a pensar que os bens que alguém acumula com o próprio trabalho lhe pertencem, que ninguém lhes pode tocar, que pode usá-los como bem entender, que pode até malbaratá-los, se quiser, em divertimentos e pândegas.
É precisamente esta maneira de pensar que para Jesus é inaceitável. É esta convicção (profundamente radicada também no coração dos cristãos) que Ele quer banir. Na parábola, Ele fala de um rico que é condenado não porque fosse mau, mas simplesmente porque era rico, ou seja, porque se fechava no seu mundo e não aceitava a lógica da partilha dos bens com quem estava em necessidade.
Jesus quer dizer-nos que o facto de neste mundo haver duas classes de pessoas - os ricos e os pobres - é contra o projecto de Deus Seu e nosso Pai. Os bens foram dados para todos e quem tem mais deve partilhá-lo com quem tem menos ou não tem nada, de maneira que haja igualdade (cf 2 Cor 8, 13) e para que a todos sejam criadas condições de vida dignas da pessoa humana. Assim: antes que alguém possa conceder a si próprio luxos, é necessário que todos tenham satisfeito as suas necessidades mais elementares.
Comentando esta parábola, Santo Ambrósio, bispo de Milão (340-397), dizia: «Quando dás alguma coisa ao pobre, não lhe dás aquilo que é teu, restituis-lhe apenas o que já é seu, porque a terra e os bens deste mundo são de todos, não dos ricos».
Hoje, a economia do mundo não está estruturada segundo o projecto do Deus de Cristo Jesus: 80% dos recursos estão nas mãos de 25% da população (em 1997!). Poderá um cristão aceitar esta situação? Nos nossos corações alimentamos ou não a mesma aversão que Deus sente contra as injustiças e a desigualdade?
Que devem fazer então os pobres? Começar a roubar e a usar violência contra os ricos? Não, não se cometa o erro de recorrer à violência que nunca resolve nenhum problema, antes cria outros novos e piores. As comunidades cristãs e os seus membros, porque participantes da profecia de Cristo Jesus e iluminados pela Escritura (= «Moisés e os Profetas»), devem anunciar denunciando ao mundo as injustiças que se cometem nos seus países e o sofrimento a que são sujeitos os pobres; devem fazer gestos de protesto fortes, embora não violentos (cf a Petição à Assembleia da República organizada pela Comissão Nacional Justiça e Paz e a entregar até 30 de Setembro de 2007). As comunidades cristãs e cada um de nós devem empenhar-se em mudar o «coração de rico» que trazem consigo: se continuarmos com um coração egoísta, se não tivermos a coragem de partilhar o pouco que ternos com quem é mais pobre, (…) nunca construiremos esse mundo novo onde não há ricos e pobres que disputam avidamente os bens, mas apenas e só irmãos que partilham os dons do Pai.
A terminar vejamos o sentido do nome dado ao pobre: “Lázaro”
Em nenhuma outra parábola Jesus atribui um nome às personagens. Só nesta se diz que o pobre se chamava Lázaro. Ter nome é ser importante!Quem é que «tem um nome» neste mundo? De quem é que falam os jornais? Dos ricos, de quem tem sucesso… Com Jesus, sucede o contrário. Para Ele, rico é: «um tal sem nome», enquanto o pobre tem um nome muito belo, pois se chama Lázaro, que significa «O Senhor ajuda».
Procuremos perguntar-nos: Quem é importante para nós? Quem é que nós gostamos de referir como sendo nosso amigo?...
Eu deste monte estou a ver o mar
Um mar de gente que não tem um lar
É um sobejo é um sobejo baixo
Canção tão triste paira sobre as ondas
É o lamento de homens a chorar
É um lamento é um lamento o mar
Refrão
QUEM VÊ AS ONDAS
QUEM VÊ AS ONDAS DO MAR
NÃO FICA EM TERRA
- NÃO FICA EM TERRA A OLHAR (última vez: TEM DEUS QUE O MANDA AVANÇAR)
Lá mais ao fundo longe deste pranto
Vive uma gente que não sabe amar
É um tormento é um tormento amar
Vivem num reino feito de cristal
Vivem de sonhos sem querer olhar
Este sobejo este sobejo baixo Refrão
Na noite escura vem um monstro irado
Consome as vidas deste mar humano
É deste reino é deste reino o mal
É deste monstro que vive o cristal
E os dois combinam ter um povo em pranto
Esquecimento esquecimento brando Refrão
Canção tão triste paira sobre as ondas
Será um hino de libertação
Não será pranto não será pranto o mar
E o cristal será quebrado e o mar
Terá nas mãos um monstro domado
E deste reino é deste reino o bem Refrão
António Samelo
quinta-feira, setembro 6
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